segunda-feira, 18 de junho de 2012

Chegado a Lviv


Em Lviv tinha uma pessoa que me podia albergar. Parecia ser um gajo muito porreiro, mas disse que estava meio doente e não sei quê... Ora eu não tenho problemas nenhuns com a doença própriamente dita, porque nunca fico doente, mas estava a apetecer-me cortiré. Apesar de ter tido anfitriões altamente na Ucrânia, eram todos um bocado calmos neste aspecto. E então apetecia-me um bocado a liberdade de ficar num hostel e de fazer exactamente o que me apetecesse, pelo que disse ao méne obrigado mas que não o queria importunar se ele estava adoentado.

Assim, cheguei a Lviv de manhã, cheio de sono, e pus-me a caminho de um hostel que tinha visto e que parecia bacana. Tive logo um bom feeling com aquela cidade. Fui dar ao hostel e aquilo era mais caro do que eu tinha visto na net. A miúda disse que havia preços diferentes para a internet. Já me tinha acontecido a mesma cena, na Bulgária, e eu agi da mesma forma... um bocado cara de pau, mas pedi-lhe então para usar a internet e marquei lá, pagando cinco euros e meio em vez de nove. Dormir de manhã e à tarde encontrei-me com a Natalia. Eu tinha postado no grupo de Lviv no couchsurfing a dizer que ia estar na cidade e a perguntar se alguém se queria encontrar para me mostrar a cidade. A Natalia mandou mensagem e assim encontrámo-nos.

A Natalia é uma miúda dos seus trinta anos, que já viveu em Inglaterra. É porreira, parece um chisco nervosa, mas passa despercebido. E Lviv é um estrondo. Gostei muito. Eu sou um desastre no que diz respeito a orientação. Contudo, em Lviv parecia que me era intrínseco. Não sei se é por ter várias igrejas e torres altas que me permitiam uma orientação diferente, não sei do que é... o que é certo é que é uma cidade onde me senti em casa instantaneamente. É bué de limpa, cheia de igrejas fixes, ruelas com cafés altamente e originais, praças e bares espectaculares. Curti muito o ambiente e voltarei, sem dúvida.

Lá p’rás sete e muito fomos para o hostel, onde me ia encontrar com o Myroslav, para irmos beber uns copos. O gajo apareceu e fomos ali a um bar com a Natalia, que bazou passado umas duas horas. O Myroslav é um gajo todo despachado, bacano com quem dá para bater uns dedos de conversa agradável ao redor de copos de cerveja. Curti o primeiro bar onde me levou, cheio de peças de caça nas paredes a decorar, e curti ainda mais o segundo, uma série de galerias subterrâneas onde comemos uma sopa de cogumelo e bebemos dois litros de cerveja, que ele fez o obséquio de pagar quando eu fui ao quarto-de-banho.

A noite estava fixe mas o gajo ia bazar à meia-noite, que não é altura de bazar em lado nenhum. Queria ir deixar-me ao hostel mas eu disse que não era preciso, que me amanhava. Assim, fui indo e perguntando a pessoal que encontrava na rua o que estava a acontecer em Lviv. Alguns disseram-me que àquela hora só discotecas e tinha de ir de táxi e pagar para entrar. Isso na minha língua é “vai para casa”. Assim fui indo e encontrei, por coincidência, o mesmo gajo a quem tinha já perguntado o que se passava na noite. O gajo disse que eu até podia ir com ele, mas que tinha de ser uma pessoa interessante e tal... eu disse que sim, que achava que conseguia ser minimamente interessante sem muito esforço... ele estava na dúvida e perguntou-me a minha profissão. Quando lhe disse que era psicólogo obtive luz verde de imediato. O pessoal assume que por ter esta profissão somos cultos e interessantes... o que pode ser um erro. Assim fui lá com o gajo. Sentei-me à mesa com os amigos dele, pedi uma cerveja. O pessoal desatou a oferecer-me shots de vodka. A próxima coisa que me lembro é acordar na manhã seguinte, no meu hostel, com a miúda que lá trabalhava a chorar no quarto-de-banho.

- Que se passa, estás bem? – perguntei, eu próprio a equacionar o quão bem eu estava e como sentia os efeitos dos exageros dessa noite.
- Sim, estou bem... é que estive a ler um livro...
- Deve ter sido um bom livro...

treze e trinta, terça, vinte e nove de Março de dois mil e doze
Portalegre, Portugal

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